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| 15/12/2007 |
Continuação da Biografia de Maria Feijó
Casada com Goaracy da Silva Neves, teve no marido bastante incentivo para suas atividades culturais. A irreverência da intelectual a acompanha em todos os momentos de sua vida. Em 1949 realizou, em Salvador, um curso intensivo de Biblioteconomia sob a direção de Bernadete Sinay Neves, sendo, logo após, nomeada bibliotecária escolar. Fundou e dirigiu, na época, a Biblioteca Rui Barbosa na escola Brasilino Viegas em Alagoinhas, sendo a primeira mulher a comandar um programa de rádio na cidade natal; criou em 1950, a Hora da biblioteca, no serviço de Auto-falantes local, intitulado A voz da liberdade, inserindo na programação a Escola de brotinhos, onde as crianças e adolescentes encontravam espaço para expressar suas primeiras criações artísticas, bem como declamações, ensaios teatrais, musicais, dentre outras manifestações. Entretanto, o cenário alagoinhense tornou-se pequeno para continuar abrigando a intelectual, que corre em busca de outros espaços. Parte então, sozinha, para o Rio de Janeiro (inicialmente, para passar as férias, conforme relatos de seus contemporâneos), e achando campo para suas atividades, por lá permaneceu vivendo até o momento atual. No Rio de Janeiro, a autora alcançou o reconhecimento de um restrito grupo, tanto no campo literário como na área da biblioteconomia. Em 1953, conclui o curso superior de Biblioteconomia no Rio de Janeiro, vindo a atuar na profissão de bibliotecária na Biblioteca Regional de Copacabana, chegando a ser chefe na Biblioteca da Gávea. Posteriormente, trabalhou no DASP e foi nomeada e empossada para exercer a mesma atividade no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do MEC. Na comunidade literária carioca fundou o CLAM (Centro Literário Amigos de Maria Feijó: Marijó) onde proporcionou várias reuniões para tratar de assuntos relacionados à literatura e ao livro. Atuou, também, no programa Salão Grenat, da Radio Tupy, colaborando com o radialista Collid Filho. Durante o período que passou a viver no Rio de Janeiro, sempre visitou Alagoinhas e acompanhava as ascensões sociais e culturais do seu município, contribuindo com o lançamento de suas obras e sentindo, amargamente, o desinteresse dos seus patrícios para com sua produção literária e cultural de modo geral. A intelectual é membro de diversas associações como, Academia de Letras, Trovas e Filosofia do Rio de Janeiro; Academia Castro Alves de Letras, Bahia; Academia de Letras Municipais do Brasil, São Paulo; Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Letras; Instituto dos Centenários (Casa Agripino Grieco); Associação Cristã Feminina, Rio de Janeiro; UBT (União Baiana de Trovadores); Movimento Político Nacional, SP, e da sociedade de homens de letras, recebeu o prêmio da Academia Caitetense de Letras. Foi, portanto, uma escritora que construiu sua vida literária tendo que vencer inúmeras batalhas. Graduada em Letras pela Universidade Estadual da Bahia. A pesquisa acerca da trajetória histórica - cultural e literária de Maria Feijó traz importantes contribuições dos senhores Belmiro Deusdete (radialista alagoinhense e interessado pelos fatos culturais do município) e Milton Costa (escritor e pesquisador, proprietário de um valioso arquivo particular), apreciadores e conhecedores da trajetória da escritora. A estes relatos orais juntaram-se leituras de textos da escritora e de resenhas e ensaios divulgados em periódicos locais, estaduais e nacionais. Belmiro Deusdete é colaborador do Alagoinhas Jornal (periódico fundado há 48 anos), a exemplo de Milton Costa. Um jornal de mais recente circulação no município e estado. Faz-se importante também salientar que a pesquisa sobre escritora se deve aos esforços do projeto de pesquisa História Literária Alagoinhense desde os primeiros autores até os anos 80, coordenado pela profª. Maria José de Oliveira Santos, na Universidade do Estado da Bahia – Alagoinhas.Entrevista gravada na residência do casal, em 27/08/1999
Escrito por tomnilton às 23h46
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